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terça-feira, 13 de março de 2012

Águas de Março

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

conjunto vazio


Não sirvo pra fazer ninguém feliz.
Não sou suficiente em nada. Absolutamente nada. Não sei o que vêem em mim, mas certamente a bondade está nos olhos de quem vê. Cada um enxerga o que quer e da forma que bem entender e quando olham pra mim, sempre vestem as lentes da benevolência.

Em nada sou útil, nada do pouco que sei serve pra alguma coisa.
Nada sei. Muito menos sei quem sou.
Sei que amo. Que choro. Que penso. E que sofro.
Sei também que odeio e que desprezo. Menosprezo. Mas não minto.

Tudo que eu toco se desfaz. Tudo que eu olho vira pedra.
Tudo que eu sinto não importa. Tudo que eu faço é um erro.
O meu tudo vira um grande nada aqui dentro.
Preencho o vazio, mas ele não me preenche.

Acrescento nada para ninguém. Não faço diferença.
Às vezes contribuo negativamente.
Nada do que tenho ou sou é bom. Nada sou.
O nada sou eu.

Acho que nem existo.
Quem dera eu realmente não existisse.
Sou um conjunto de tantas coisas que não deveriam existir.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

conteúdo


Dizem que o vazio contem tudo. Não me lembro onde li isso, só sei que pela primeira vez na vida essa frase começa a me fazer sentido. É um paradoxo, pois  o tudo é tão grande que quando a gente se depara com ele, tudo que vemos é um grande vazio.

Acho que estou encarando o tudo da vida. Não o todo, mas o tudo. São coisas diferentes. Meus olhos são incapazes de ver o todo, mas podem vislumbrar tudo que quiserem. Tudo que  se permitirem. Época de permissão, de concessão, de extravasar. Tempo de liberdade. Tempo de soltar-se de amarras, ou escolher aonde quero me amarrar.

É um tempo bom. Tem sido um tempo muito bom. E aí surge uma coisa curiosa. Sempre botei a culpa de tudo que não dá certo, na loucura. Ela foi sempre a culpada. Sempre a que impediu a vida de acontecer. A que sempre me amarrou. Pois bem, ouso dizer que tem sido tempo de sanidade. Talvez não plena,  mas jamais estive mais sã do que agora. E o que faço? O que quero? Vejo que a culpa não foi da loucura. A culpa por não ter feito nada. A culpa também não é da sanidade.
Seria a loucura a desculpa perfeita que arrumei esses anos todos pra não, de fato, viver? Por que eu fujo tanto assim da vida? Antes eu achava que ela fugia de mim, mas hoje vejo que eu estava errada. Ela não foge. Eu fujo. Eu corro. Eu me escondo.

Sempre quis tanta coisa, tanta coisa que me parecia tão distante porque algo me impedia. Hoje nada me impede e tudo está tão perto. Perto demais, que até mesmo vira um grande vazio.
Muitas possibilidades. Tantas que até me perco. Tantas que não sei qual escolher. Tantas que nenhuma me apetece. Quero tudo. Quero nada. Talvez isso queira dizer exatamente a mesma coisa, não é? Vai ver que não mudei em nada. Vai ver que o nada e o tudo são a mesma coisa e me contemplam o tempo todo. Preciso lidar com meu nada. Preciso me achar nesse tudo.

Não estou triste. Apenas sem saber o que fazer. Parece que é tudo tão bom que não quero escolher... queria me jogar na imensidão desse tudo. Queria conter tudo, e queria que tudo me contivesse.

E no vazio dos dias, vejo a plenitude em cada coisa e me pergunto: o que sou?

Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto. E nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

saber viver?



“Decepção não mata; ensina a viver”.

Essa é uma das frases, que possivelmente, você mais vai ouvir na vida casoseja do tipo que sempre se envolve com as pessoas erradas nas horas erradas e tenha a sorte de ter algumas poucas pessoas ao seu redor preocupadas em te consolar, ainda que com uma frase vazia dessas.

Pois bem, pra começo de conversa eu já acho um disparate achar que tudo que é ruim ensina alguma coisa de bom ou de útil. Pelo que eu vejo, é bem pelo contrário: traumatizam, e traumatizam pra caralho. Através desse pensamento vazio, parece que é só por intermédio da frustração que a gente consegue aprender alguma coisa pro futuro. Esse reforço negativo, essa teoria da punição, em nada me agrada. E não é porque estou em negação; eu realmente acho isso uma baboseira.

Se assim fosse verdade, não veríamos várias pessoas por aí, figurativamente, batendo a cabeça na mesma parede por tantos e tantos anos. Insistindo nos mesmos erros, nas memas frustrações, tendo repetidamente as mesmas decepções. Se fosse uma simples questão de aprendizado, erros não se repetiriam.

Acho que isso passa pela necessidade de que tudo que vem de fora satisfaça tuas necessidades, as quais são criadas e existentes somente na tua cabeça e que talvez nem te sejam tão necessárias assim. Digo que nem sempre o que está ao redor está errado; quem sabe o errado seja você em querer que o resto do mundo seja do jeito que você queria que fosse.

Não extrapolo estas idéias para o âmbito político, econômico, social. Se trata aqui dos fenômenos interpessoais e relativizadamente pós-modernos que relacionamentos intra e inter espécie aparentam ter, e sobre cujas bases e origens, em sua últimíssima instância, não irei nem citar, pois sei que os desejos e medos são frutos do pensamento vigente de uma determinada época, a qual embasa e é a responsável pela amarga infelicidade cotidiana. Não entrarei neste mérito, é uma discussão difícil e quero aqui apenas discutir sentimentos, talvez de maneira vazia e inútil. Problema meu. Dito isto, podemos continuar com a fenomenologia das frustrações e dos sorrisos enferrujados.

Projeções, projeções. Projetar no que está fora todos os desejos e medos  que estão aqui dentro, e ainda esperar ser correspondido – ou melhor - obedecido. Como isso pode dar certo? Mesmo porque, desejos e medos, em sua maioria, quando não produtos do pensar, analisar e repensar, surgem em nós pelos mais múltiplos e variados motivos errados.

Eu me frustro pra caramba. Acho que, desde sempre, decepções e frustrações me consumiram horas e horas de vida, litros e litros de água dos olhos, noites e noites em claro, dias e dias na escuridão. Sinto cada decepção tão vívidamente como se fosse o suspiro derradeiro, o último segundo de vida. Sinto essa dor insuportável em cada detalhe, por mínimo que seja, com todos os seus tons. Sinto lenta, mas plenamente, cada pedaço de sordidez que o “decepcionar-se” pode proporcionar. Acho que sou muito dramática, exigente  e perfeccionista, ou quem sabe isso se resuma na palavra extremista. Ou talvez, mimada. Sei que vivo cada decepção como se fosse a primeira, e a última, da vida. Sinto um vazio, um desespero e uma desesperança incabíveis dentro de mim, mesmo quando o motivo da decepção já é repetido. E é claro que, a cada frustração que se sucede, mais muros e labirintos eu crio em volta desse lugar que tenho aqui dentro chamado “afeto”, pra que ele fique cada vez menos acessível, cada vez mais intocado, e eu portanto, cada vez menos sofredora. E isso não é bom. Isso não é viver, penso que seja muito pelo contrário; é deixar de viver porque se perde tanto tempo da vida se preocupando com o que virá nela, que se esquece de criar e inventar o hoje. Se não existe hoje, o amanhã deixa de ser uma incógnita para virar a certeza de um vácuo.

Constante tensão à espera da próxima desgraça, constante posição de ataque através de uma defesa inesgotável e incansável. Isso cansa. Consome energia, consome tempo, consome vida. Sinto-me a cada dia que passa, sendo corroída por esse dispêndio cruel de energia na vã esperança de me auto-proteger de viver, e por isso nada sobra – nem energia, nem foco, nem vontade – para ser gasto com  coisas construtivas. E nada vai pra frente. E você se frustra mais, e se fecha mais. E mais energia é consumida para viver em negação, raiva, tristeza e uma suposta indiferença. E mais vida é jogada fora.

Pra dar um basta nisso, há um caminho complexo a ser percorrido, que engloba enfrentar todos os medos, quebrar todos os muros, vencer todos os labirintos, caçar todos os fantasmas, entrar em todos os pântanos, ou seja, lutar contra si mesmo para tirar toda essa proteção criada meticulosamente ao redor daquilo que você tanto preza em proteger, porque dói quando utilizado incorretamente, que é o afeto. Afeiçoar-se a alguém exige tantos pré-requisitos, tanta confiança, tanta entrega, que o medo vence e o isola. O condena a viver na solidão; justo ele, que foi feito para ser compartilhado.

Com açúcar e com afeto, aos poucos o amargo do cotidiano vai sendo substituído pelo suave sabor dos dias de fato vividos, e não apenas existentes. Viver implica em muito mais do que ter medo das próximas horas que virão.

Mas, ao que parece, as exigências que criamos e impomos a tudo que está ao redor do nosso eixo não nos permitem enxergar que talvez toda essa enorme lista de defeitos que você acha no resto do mundo não passe de medo, pois se se permitir identificar-se e apreciar qualquer coisa externa, deixará ela entrar e te tocar, e ser parte de ti. E essa entrega fica impossível quando tudo que conseguimos ter em mente são as reminiscências das decepções passadas, com toda sua carga de dor, de amargura, desespero e principalmente, de solidão.

Então não, decepção não ensina a viver, mas sim faz com que limites sejam impostos às vontades, aos planos e à esperança de se poder ter uma vida diferente, sem medo, sem medo de ter medo, sem rugas e veias entupidas de preocupação.

Decepção e frustração ensinam a viver em caixas, e quer saber? Cansei das minhas.
 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O mundo real, as árvores e o céu.
O prédio e o concreto, as escadas e as paredes.
As pessoas. 

As folhas e as canetas.
O vento, e as folhas.
O ar. O invisível. 
O impalpável,
que é visivelmente presente.
O inegável.

A vontade. A indecisão.
A necessidade?
Tantas necessidades.
O precisar. E a imprecisão.

O teto. O muro.
O gato. O pulo.
A mala. O livro.
O copo de suco.

A música. A figura. 
Criatividade.
O branco. 
O carinho. A amizade. 

O ser.
O não ser.
O tudo e o nada.

Olhos abertos, pálpebras cerradas.
Boca seca.
Coração quente, mãos geladas.

Passo por passo.
Letra por letra.
Movimento. 

Pra que lado?

Onde estou?

Pensar nem sempre é uma opção.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

with the lights out, it's less dangerous

As I remember the old times
this would never happen.
It's not easy to put a heart aside
and feel it so rationally

Expectations are not good
If you're not able to make them happen
If you're not in control, you lose
You lose your mind.

And I'm not up to losing this time.
I'm not up to losing my mind.
The tragedy is about to start
Where are they now?

Don't wanna put bullshits on you
But maybe you just need to know
That I don't wanna lose it, nor win it
I just wanna think, emotionally

I just wanna feel your words reaching me
And live this unknown world about to begin
I wanna see where this can take me
I wanna be free, free from myself

Can you help me to climb it?
You don't have to take my hands, just walk along
Along with me
Walk for you, and walk for me

If I could get out the tray
And do not believe my guesses
Maybe life would be better
Maybe life is already better than I imagine

That's why i'm not up to losing this time.
I won't lose my mind.
The tragedy has already started.
Where are you now?

Won't you show up and say that
This time I won't lose it?
This time I must make it.
Own-hostage days are over.

Rationally, that's what I feel.
Emotionally, that's what I think.
Objectively, I'm on it.
Personally, I can't hide or run anywhere.

I'm here. I'm this. I'm lost, but I can be found.

quarta-feira, 23 de março de 2011

questões estruturais

Laura era uma menina feliz.
Pelo menos achava que era. Até o dia em que percebeu que trabalhar não é uma dádiva, mas sim uma obrigação cotidiana e destruidora.
Não tivera oportunidade de estudar. Estudara até a 5ª série, e após isso, as despesas da casa ficaram extremamente pesadas e não teve outra alternativa: com 12 anos, começou a trabalhar.


Hoje tinha já 17 anos, e ao observar os seres humanos da mesma idade que a sua e que compravam produtos com ela na loja ( era vendedora ), observava que a maioria tinha uma mochila nas costas.
Estudantes. Aqueles que estudam.
Ficava maravilhada com o fato de que existem pessoas que podem estudar e entender o mundo tão melhor do que o pouco esclarecimento que ela tinha, que tinha sido permitido chegar a seus ouvidos.


Sempre pensava: como eles conseguiram? Por que eles podem e eu não?
Lembrava de todas as broncas que levava da chefe, que a chamava de lenta e burra.
Lembrava de todas as sátiras no seu emprego anterior, só porque ela falava o português errado.
Nem se lembrava mais se algum dia tinha aprendido o português, não entendia do que tanto riam.


Todos a chamavam de burra.
Não estudou, nem faculdade poderia fazer. E na realidade, isso jamais passou pela cabeça dela. Fazer um curso superior nunca foi possibilidade pra quem vem do lugar onde mora.


Se sentia inferior. Sabia que era incapaz.
Desesperou-se.
Por quê Deus tinha que ser tão cruel com ela?


Sonhava em poder estudar alguma coisa que gostasse. Sonhava em saber fazer contas.
Até mesmo sonhava com a possibilidade de algum dia conseguir terminar de ler um livro inteiro.
Sonhava com casa, com emprego, com filhos que tenham o que comer.


Sentia de fato uma saudade da infância. Não que fossem tempos mais felizes, mas é que talvez ela não soubesse quão infeliz era. E isso por si só já era motivo pra dar o mais alegre dos sorrisos, mesmo sabendo que a vida nunca tinha sido um mar de rosas, pelo menos pra ela.


Chegou em casa e indagou aos seus pais, já velhos e acabados de mais um dia de trabalho, como foi sua infância.
Eles disseram que ela era muito esperta, apesar de ter tido alguns problemas de saúde.
- Que problemas?!
Ficou curiosa.


- Nada demais, minha filha. O doutô disse que talvez você não pudesse crescer assim da altura das outras crianças, era muito magricelinha. Nem ser tão esperta quanto elas. Mas fora isso tava tudo bem, a gente era feliz.


Sua família sempre fora pobre. Seus pais a tiveram muito cedo, com 17 anos cada. Moravam de favor na casa da avó; seu pai, que tinha estudado só até a 6ª série, não conseguia achar emprego; sobreviviam com 600 reais mensais, com 6 membros na familia.


O fato é que a medicina tentou.
Mas a maioria das questões de saúde extrapola a medicina.
O doutor mandou os pais alimentarem ela melhor, pra que pudesse crescer. Disse que ela precisava aprender a gostar de comer outras coisas além de mistura de farinha, arroz e esporadicamente feijão.


- Mas doutor, gostar de comer de tudo, ela até gosta. Mas e dinheiro pra gente comprar, cadê?


Não tinham dinheiro nem pra pagar a passagem de ônibus até lá, quiçá pra comprar um quilo de carne (absurdamente caro).
Proteínas, proteínas.
Santos complexos estruturais, necessárias para que um organismo humano cresça adequadamente.
Proteínas, nessa sociedade, não são pra todos.


O médico então passou uma orientação de tomar mais leite e comer mais ovos, visto que carne era impossível pros pais de Laura comprarem; e também passou um complemento vitamínico alimentar para que ela pudesse desenvolver melhor seus sistema nervoso e assim ser uma criança normal.


Deu tchau à Laura e seus pais, e ao passo que estes saíram do consultório, virou para os acadêmicos e disse: pobre criança, com certeza terá sequelas neurológicas irreversíveis.


Essa parte da história, Laura não sabia.


Foi pensando na crueldade de Deus que deixou seu trabalho naquele dia.
Sentia-se mal consigo mesma; tinha vergonha de ser quem era.
E seguiu, cabisbaixa, rumo ao ponto de ônibus ao final de mais um dia exaustivo e injusto de trabalho.


Sem saber ela que burro mesmo é quem pode questionar porque tem crianças ainda no mundo passando fome, e não questiona.

domingo, 13 de março de 2011

starry nights

Me pego olhando pro céu e indagando
quais serão as estrelas que brilharão no meu céu daqui alguns anos.

Às vezes parece tão fácil olhar pra cima, tirar uma fotografia mental de tudo como está e dizer:
é sempre assim.

Será que é?


Qual o limite de tempo que define o pra sempre?


Sei que os céus mudam.
O meu já mudou tantas vezes.
E dá sempre uma tristeza olhar pra cima, admirar cada estrela, uma a uma,
e depois lembrar que é possível que amanhã ela não esteja mais ali.
E que é muito provável que suma daqui alguns anos, caso amanhã ela ainda ali esteja.


Gosto de olhar pra cima e tirar minhas fotografias mentais.
De tanto tempo bom que ficou pra trás. De tanta coisa boa que já não existe mais.


Guardo comigo tantos e tantos retratos.
É verdade que alguns resolvi jogar fora.
Não deveria, mas joguei.


A cada vez que se olha o céu e se vê as estrelas exatamente da forma como a gente queria,
bate uma pré tristeza infinda.
Pois o fato é que vai mudar.
Vai mudar.


E mudanças podem ser necessárias.
Mas... deixa eu contemplar meu céu nesta noite,
assim, calada.
Admirada e com água no canto dos olhos.


Lágrimas de quem não quer perder a visão que tem.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

abra essa porta

Não me diga que é apenas coincidência.
Tantos e tantos vôos cortados, como é?
Impossível ser acaso todas essas correntes.

Não acho que seja isso o amor. Acho que você se enganou.
O amor não me manteria presa na sua gaiola.
O amor me ajudaria a voar.
O amor me emprestaria suas asas.

Não estou dizendo que você não me ama.
Modéstia à parte, acho que ama sim.
De certa forma, me provou isso em alguns momentos,
apesar de eu ter lá minhas dúvidas, acho que a razão me diz que devo confiar nas estatísticas.

Mas, por favor, não veja em mim um espelho.
Minha vida não é sua, nem vice-versa.
Não posso viver os minutos, muito menos as horas, por você.

Sei de toda a escuridão que está atrás de ti.
Está atrás de mim também.
Superei. Eu acho.
Superei.

E você, por que não supera?
Não é fácil encarar suas fraquezas, não é?
Parecia tão fácil quando você me mandava me resolver, crescer... viver...
Parece que realmente pimenta nos olhos dos outros, é uma Schweppes Citrus bem geladinha descendo guela abaixo.

Acha que pra mim é fácil?
Encarar todo dia todos os meus fantasmas?
Pois saiba que não é.
Já deixei de sorrir muitas vezes; já fui muito triste.
Quem sabe ainda seja...

Mas sei que ninguém tem culpa dos meus devaneios internos.
Ninguém tem culpa do que aconteceu no meu passado.
Muito menos dessa neurotransmissão insana que me fode a vida.
E muito menos ainda, do que faço ou deixo de fazer por conta disso.

É exatamente por isso que digo que não é fácil, mas encaro.
Dou um passo à frente, suspiro fundo e me olho num puta espelho de aumento, daqueles que não deixam escapar nada. Muito menos os pensamentos.

E foi por causa dele que achei muito de você em mim.
Por que eu quis? Não.
Não sou assim. Não sou dependente, e você sabe disso.

Encontrei todas as imposições que você coloca em mim.
E quer saber, não posso admitir.
Você precisa entender que não posso admitir tal coisa.

Gosto muito de ti, talvez não soubesse viver sem você.
Isso é a mais pura verdade.
Mas não podemos nos confundir.
Cada um de nós precisa decidir o que fazer com a sua própria vida, e não renegar-se a segundo plano pra decidir a vida dos outros.

Cuide de você, por favor.
Eu tentei cuidar de ti, mas não dá. Você não me escuta.
E percebi que isso é errado mesmo.
Não vou te dizer o que fazer.

Assim como você não vai me dizer o que sentir.
Cansei desse claustro.
Abra a porta, ou eu a arrombo.

E se ficar se perguntando porque tamanha violência, saiba que
Sou minha, só minha.
E não de quem quiser.